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terça-feira, 17 de maio de 2011
Gripe x Resfriado
Distinguir a gripe do resfriado é fundamental para saber lutar contra ela com as armas certas. O primeiro passo, portanto, é atentar para aos sinalizadores das diferenças entre as duas infecções do trato respiratório.
Marco Aurélio Sáfadi, infectologista pediatra e professor da Santa Casa de São Paulo, ressalta que o início do resfriado é progressivo, com sintomas mais brandos, e dificilmente resulta em febre. Mas se você sente mal-estar, falta de apetite, dor de garganta e cabeça e é acometido por uma febre súbita, o vírus da gripe deve estar em ação.
Depois de diferenciar as doenças, é preciso desvendar os mitos que rondam a gripe para lançar mão das medidas realmente eficazes no combate a ela. A lista, a seguir, aponta o que não passa de balela no tratamento da doença e ensina a melhor forma de superá-la.
antigripais - Foto Getty Images
Antigripais em ação
A confusão já começa pela denominação dos medicamentos. Os verdadeiros antigripais são aqueles especificamente voltados para o enfraquecimento do vírus Influenza. No entanto, "o termo antigripal é freqüentemente usado como uma expressão coloquial para definir os medicamentos sintomáticos, aqueles que só aliviam os sintomas", relata o especialista.
O médico conta ainda que os antigripais mais antigos têm certas limitações e não exercem muito efeito sobre a gripe. A novidade em relação ao tratamento da infecção é o antiviral com o princípio ativo fosfato de oseltamivir. O medicamento precisa ser usado nas primeiras 48 horas de sintomas. Assim, é capaz de inibir a enzima que dissemina o vírus pelo trato respiratório, diminuindo a severidade da doença.
"O medicamento não mata o vírus , destaca Marco. Apenas impede que ele se alastre pelo trato respiratório e reduz as conseqüências da infecção", completa. O uso deve ser feito sob prescrição médica. Além disso, somente um especialista é capaz de verificar se os sintomas realmente formam o diagnóstico precoce da gripe.
chás gripe - Foto Getty Images
Vale a pena apostar na variedade de chás?
Chá de hortelã, menta e alho são só alguns exemplos da variedade da bebida que promete aplacar a gripe. "De fato eles trazem um alívio sintomático. Mas eram usados quando não existiam outras opções para minimizar a gripe", fala o infectologista da Santa Casa.
Ele frisa que não existem estudos científicos que comprovem a eficácia dos chás sobre as complicações da gripe. Eles podem contribuir, porém, para a recomendação de hidratação inclusa no tratamento da doença. "Somente o medicamento antiviral é capaz de diminuir o tempo e a gravidade dos sintomas da gripe", insiste Marco Aurelio.
Ainda falando sobre os efeitos do medicamento antiviral, o especialista diz que ele pode ser usado quando os primeiros sintomas aparecem ou ainda quando houve um contato próximo com alguém gripado. Nestes casos, o antiviral funciona como método preventivo.
gripe - Foto Getty Images
Os verdadeiros poderes da vitamina C
A vitamina C também faz parte da lista de combatentes da gripe que não têm efeitos cientificamente comprovados. Apesar de ser uma vitamina importante para defender o organismo contra infecções, ela não tem a função de amenizar os sintomas já instalados. A necessidade de suplementação, a fim de fortalecer o sistema imunológico, também não é comprovada.
De acordo com Viviane Lagnado, nutricionista da marca de vitaminas, minerais e suplementos alimentares Nutrilite, o engano sobre os efeitos da vitamina C acontece pelo fato de o nutriente estar envolvido na regulação da temperatura corporal, defendendo assim, o organismo.
A responsável pela equipe nutricional do Minha Vida, Roberta Stella, lembra que o poder da vitamina C foi ressaltado pelo pesquisador Linus Pauling. Ele pregava que altas doses do nutriente agiam contra gripes e resfriados, além de outras doenças. Desde então, o assunto é controverso e os estudos ainda não são conclusivos.
Andar descalço não intensifica a gripe
Quando a saúde está debilitada por causa da gripe, muita gente aconselha que hábitos como andar descalço, beber gelado ou tomar banho quente e logo após se expor ao tempo frio sejam evitados.
Marco Aurélio explica que o conselho é válido para quem quer evitar rinite e outras manifestações respiratórias. No entanto, os costumes não exercem influência sobre a gravidade da gripe instalada e tampouco acarretam a doença, causada pelo contágio do vírus Influenza.
Marco Aurélio
Marco Aurélio Sáfadi, infectologista pediatra e professor da Santa Casa de São Paulo, ressalta que o início do resfriado é progressivo, com sintomas mais brandos, e dificilmente resulta em febre. Mas se você sente mal-estar, falta de apetite, dor de garganta e cabeça e é acometido por uma febre súbita, o vírus da gripe deve estar em ação.
Depois de diferenciar as doenças, é preciso desvendar os mitos que rondam a gripe para lançar mão das medidas realmente eficazes no combate a ela. A lista, a seguir, aponta o que não passa de balela no tratamento da doença e ensina a melhor forma de superá-la.
antigripais - Foto Getty Images
Antigripais em ação
A confusão já começa pela denominação dos medicamentos. Os verdadeiros antigripais são aqueles especificamente voltados para o enfraquecimento do vírus Influenza. No entanto, "o termo antigripal é freqüentemente usado como uma expressão coloquial para definir os medicamentos sintomáticos, aqueles que só aliviam os sintomas", relata o especialista.
O médico conta ainda que os antigripais mais antigos têm certas limitações e não exercem muito efeito sobre a gripe. A novidade em relação ao tratamento da infecção é o antiviral com o princípio ativo fosfato de oseltamivir. O medicamento precisa ser usado nas primeiras 48 horas de sintomas. Assim, é capaz de inibir a enzima que dissemina o vírus pelo trato respiratório, diminuindo a severidade da doença.
"O medicamento não mata o vírus , destaca Marco. Apenas impede que ele se alastre pelo trato respiratório e reduz as conseqüências da infecção", completa. O uso deve ser feito sob prescrição médica. Além disso, somente um especialista é capaz de verificar se os sintomas realmente formam o diagnóstico precoce da gripe.
chás gripe - Foto Getty Images
Vale a pena apostar na variedade de chás?
Chá de hortelã, menta e alho são só alguns exemplos da variedade da bebida que promete aplacar a gripe. "De fato eles trazem um alívio sintomático. Mas eram usados quando não existiam outras opções para minimizar a gripe", fala o infectologista da Santa Casa.
Ele frisa que não existem estudos científicos que comprovem a eficácia dos chás sobre as complicações da gripe. Eles podem contribuir, porém, para a recomendação de hidratação inclusa no tratamento da doença. "Somente o medicamento antiviral é capaz de diminuir o tempo e a gravidade dos sintomas da gripe", insiste Marco Aurelio.
Ainda falando sobre os efeitos do medicamento antiviral, o especialista diz que ele pode ser usado quando os primeiros sintomas aparecem ou ainda quando houve um contato próximo com alguém gripado. Nestes casos, o antiviral funciona como método preventivo.
gripe - Foto Getty Images
Os verdadeiros poderes da vitamina C
A vitamina C também faz parte da lista de combatentes da gripe que não têm efeitos cientificamente comprovados. Apesar de ser uma vitamina importante para defender o organismo contra infecções, ela não tem a função de amenizar os sintomas já instalados. A necessidade de suplementação, a fim de fortalecer o sistema imunológico, também não é comprovada.
De acordo com Viviane Lagnado, nutricionista da marca de vitaminas, minerais e suplementos alimentares Nutrilite, o engano sobre os efeitos da vitamina C acontece pelo fato de o nutriente estar envolvido na regulação da temperatura corporal, defendendo assim, o organismo.
A responsável pela equipe nutricional do Minha Vida, Roberta Stella, lembra que o poder da vitamina C foi ressaltado pelo pesquisador Linus Pauling. Ele pregava que altas doses do nutriente agiam contra gripes e resfriados, além de outras doenças. Desde então, o assunto é controverso e os estudos ainda não são conclusivos.
Andar descalço não intensifica a gripe
Quando a saúde está debilitada por causa da gripe, muita gente aconselha que hábitos como andar descalço, beber gelado ou tomar banho quente e logo após se expor ao tempo frio sejam evitados.
Marco Aurélio explica que o conselho é válido para quem quer evitar rinite e outras manifestações respiratórias. No entanto, os costumes não exercem influência sobre a gravidade da gripe instalada e tampouco acarretam a doença, causada pelo contágio do vírus Influenza.
Marco Aurélio
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Inteligência e pobreza
Se medir a inteligência de alguém já é tarefa inglória, imagine estimar seus valores médios em populações inteiras. Talvez não exista na Biologia campo mais sujeito a interpretações contraditórias, preconceituosas e apaixonadas.
Em 1990, foi descrito o efeito Flynn, segundo o qual ocorrem aumentos significantes das médias do quociente de inteligência (QI) em curtos intervalos de tempo, à medida que as nações se desenvolvem.
Em 2001, Lynn e Vanhanen fizeram a primeira tentativa de relacionar inteligência com desenvolvimento econômico, ao publicar um estudo sobre o QI médio dos habitantes de 81 países.
Em 2005, N. Broder levantou a hipótese de que a inteligência, como outros traços psicológicos, é altamente plástica, portanto adaptável ao ambiente. Como consequência, tende a crescer com a escolaridade e com os desafios cognitivos impostos pelo meio, como os que surgem na migração do campo para a cidade.
Baseado no fato de que os níveis nacionais de QI são menores nos países com mortalidade infantil elevada e naqueles em que os bebês nascem com baixo peso, Broder concluiu que saúde e nutrição podem afetar a inteligência.
O que esses estudos não esclarecem, no entanto, é se existe relação de causa e efeito entre essas variáveis, isto é, se a instrução ativa a inteligência ou se indivíduos mais inteligentes estudam mais. O mesmo vale para os que abandonam a agricultura para tentar a sorte na cidade.
Duas conclusões retiradas de vários estudos dão idéia da complexidade dessas interações:
1) O QI de uma população é menor nos países em que as temperaturas permanecem mais altas durante o inverno. Tem certa lógica: frio e neve exigem maior criatividade para sobreviver.
2) Como regra, quanto mais distante da Etiópia estiver o país, mais alto o QI de seus habitantes. Tem a mesma lógica: quanto mais se afastou da terra natal, mais desafios adaptativos o homem foi obrigado a vencer.
A você, leitor que resistiu com bravura à introdução, está reservada a cereja do bolo.
Cristopher Eppig e colaboradores escreveram um artigo na prestigiosa Proceedings of The Royal Society, propondo uma explicação unificadora, daquelas que nos deixa a sensação do porquê não pensei nisso antes.
Segundo eles, as causas apresentadas estão por trás de uma variável bem mais relevante: as infecções parasitárias.
Do ponto de vista energético, o cérebro é o órgão do corpo humano que mais consome energia: 87% no recém-nascido, 44% aos cinco anos; 34% aos dez; 23% nos homens e 27% nas mulheres adultas.
As infecções parasitárias interferem com o equilíbrio energético: 1) alguns micro-organismos se alimentam de tecidos humanos que precisam ser reparados; 2) outros vivem nos intestinos e prejudicam a absorção de nutrientes; 3) para multiplicarem-se, os vírus dependem da maquinaria de reprodução da célula, processo que exige energia; 4) o hospedeiro infectado precisa investir energia para ativar o sistema imunológico por longos períodos, nas infecções crônicas.
As diarreias na infância têm custo energético especialmente elevado. Primeiro, por causa da alta prevalência – estão entre as duas principais causas de óbitos em menores de cinco anos. Depois, porque dificultam o aproveitamento de nutrientes.
Quadros diarreicos de repetição durante os primeiros cinco anos de vida, podem privar o cérebro das calorias necessárias para o desenvolvimento pleno e comprometer a inteligência para sempre.
Diversos trabalhos demonstraram que infecções parasitárias e QI trilham caminhos opostos. Um deles, realizado no Brasil pelo grupo de Jardim-Botelho, mostrou que crianças escolares com ascaridíase apresentam performance mais medíocre nos testes de capacidade cognitiva. E mais: naquelas parasitadas por mais de um verme intestinal, os resultados são piores ainda.
A hipótese de que infecções parasitárias prejudicariam o desenvolvimento da inteligência, explica por que a média do QI aumenta rapidamente quando um país se desenvolve (efeito Flynn), por que o QI é mais alto nas regiões em que o inverno é mais frio (menos parasitoses) e por que nos países pobres os valores médios do QI são mais baixos.
No Brasil, existem 38 milhões de residências sem esgoto.
Dr. Drauzio Varella
Em 1990, foi descrito o efeito Flynn, segundo o qual ocorrem aumentos significantes das médias do quociente de inteligência (QI) em curtos intervalos de tempo, à medida que as nações se desenvolvem.
Em 2001, Lynn e Vanhanen fizeram a primeira tentativa de relacionar inteligência com desenvolvimento econômico, ao publicar um estudo sobre o QI médio dos habitantes de 81 países.
Em 2005, N. Broder levantou a hipótese de que a inteligência, como outros traços psicológicos, é altamente plástica, portanto adaptável ao ambiente. Como consequência, tende a crescer com a escolaridade e com os desafios cognitivos impostos pelo meio, como os que surgem na migração do campo para a cidade.
Baseado no fato de que os níveis nacionais de QI são menores nos países com mortalidade infantil elevada e naqueles em que os bebês nascem com baixo peso, Broder concluiu que saúde e nutrição podem afetar a inteligência.
O que esses estudos não esclarecem, no entanto, é se existe relação de causa e efeito entre essas variáveis, isto é, se a instrução ativa a inteligência ou se indivíduos mais inteligentes estudam mais. O mesmo vale para os que abandonam a agricultura para tentar a sorte na cidade.
Duas conclusões retiradas de vários estudos dão idéia da complexidade dessas interações:
1) O QI de uma população é menor nos países em que as temperaturas permanecem mais altas durante o inverno. Tem certa lógica: frio e neve exigem maior criatividade para sobreviver.
2) Como regra, quanto mais distante da Etiópia estiver o país, mais alto o QI de seus habitantes. Tem a mesma lógica: quanto mais se afastou da terra natal, mais desafios adaptativos o homem foi obrigado a vencer.
A você, leitor que resistiu com bravura à introdução, está reservada a cereja do bolo.
Cristopher Eppig e colaboradores escreveram um artigo na prestigiosa Proceedings of The Royal Society, propondo uma explicação unificadora, daquelas que nos deixa a sensação do porquê não pensei nisso antes.
Segundo eles, as causas apresentadas estão por trás de uma variável bem mais relevante: as infecções parasitárias.
Do ponto de vista energético, o cérebro é o órgão do corpo humano que mais consome energia: 87% no recém-nascido, 44% aos cinco anos; 34% aos dez; 23% nos homens e 27% nas mulheres adultas.
As infecções parasitárias interferem com o equilíbrio energético: 1) alguns micro-organismos se alimentam de tecidos humanos que precisam ser reparados; 2) outros vivem nos intestinos e prejudicam a absorção de nutrientes; 3) para multiplicarem-se, os vírus dependem da maquinaria de reprodução da célula, processo que exige energia; 4) o hospedeiro infectado precisa investir energia para ativar o sistema imunológico por longos períodos, nas infecções crônicas.
As diarreias na infância têm custo energético especialmente elevado. Primeiro, por causa da alta prevalência – estão entre as duas principais causas de óbitos em menores de cinco anos. Depois, porque dificultam o aproveitamento de nutrientes.
Quadros diarreicos de repetição durante os primeiros cinco anos de vida, podem privar o cérebro das calorias necessárias para o desenvolvimento pleno e comprometer a inteligência para sempre.
Diversos trabalhos demonstraram que infecções parasitárias e QI trilham caminhos opostos. Um deles, realizado no Brasil pelo grupo de Jardim-Botelho, mostrou que crianças escolares com ascaridíase apresentam performance mais medíocre nos testes de capacidade cognitiva. E mais: naquelas parasitadas por mais de um verme intestinal, os resultados são piores ainda.
A hipótese de que infecções parasitárias prejudicariam o desenvolvimento da inteligência, explica por que a média do QI aumenta rapidamente quando um país se desenvolve (efeito Flynn), por que o QI é mais alto nas regiões em que o inverno é mais frio (menos parasitoses) e por que nos países pobres os valores médios do QI são mais baixos.
No Brasil, existem 38 milhões de residências sem esgoto.
Dr. Drauzio Varella
Refluxo Gastroesofágico
A definição é nebulosa: “condição que se desenvolve, quando o refluxo do conteúdo gástrico causa sintomas e/ou outras complicações”.
Sintomas e condições associadas à doença do refluxo podem ser classificados em dois grupos:
1) Síndromes esofágicas
Os sintomas mais comuns são: azia, regurgitação, dor à deglutição e dores no tórax. Salivação excessiva e náuseas são menos frequentes.
Há quatro condições associadas: esofagite de refluxo com erosão e necrose da mucosa de revestimento logo acima da junção com o estômago; estreitamento esofágico causado pela inflamação; esôfago de Barrett caracterizado por alterações nas células da porção terminal do órgão; e adenocarcinoma.
2) Síndromes extraesofágicas
a) Tosse crônica e laringite acompanhada de rouquidão e pigarro persistente, geralmente associada ao uso excessivo da voz, a irritantes ambientais e ao cigarro;
b) Asma (como um cofator nos casos de difícil controle das crises);
c) Erosão do esmalte dos dentes causada pelo conteúdo gástrico ao refluir até a boca.
Paradoxalmente, cerca de dois terços das pessoas que se queixam de refluxo, não apresentam nenhuma esofagite à endoscopia. Por essa razão, quando os sintomas são típicos e a resposta ao tratamento é rápida, não há necessidade de realizar endoscopias nem outros exames. No entanto, a maioria dos médicos opta pelo exame endoscópico para afastar as possibilidades de estreitamento esofágico, câncer ou esôfago de Barrett, condição que predispõe à malignização.
Em casos selecionados, exames mais complexos permitem avaliar a motilidade gástrica, quantificar a exposição do esôfago ao ácido e relacionar os sintomas com a periodicidade dos refluxos.
O tratamento envolve:
1) Dieta alimentar
Evitar frutas cítricas, tomates, cebolas, bebidas gasosas ou com cafeína, comidas apimentadas, gordurosas ou fritas, chocolate, café e chá.
2) Mudanças no estilo de vida
a) Parar de fumar;
b) Se houver sobrepeso ou obesidade, emagrecer;
c) Reduzir o consumo de álcool (especialmente vinho tinto à noite);
d) Evitar refeições copiosas, e só ir para a cama duas ou três horas depois da alimentação. Não deitar depois das refeições;
e) Nos casos em que os refluxos acontecem à noite, elevar a cabeceira da cama;
d) Não usar roupas nem cintos apertados.
3) Medicamentos
Reduzir a acidez do suco gástrico melhora os sintomas e facilita a regeneração dos tecidos lesados pela inflamação.
Existem dois grupos de medicamentos usados com essa finalidade: os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, lanzoprazol, esomeprazol e outros) e os antagonistas do receptor H2 (cimetidina, ranitidina, famotidina e outros).
Os estudos mostram que os inibidores da bomba de prótons são mais eficazes tanto na cura das esofagites e quanto no controle dos sintomas.
A duração do tratamento é extremamente variável. Como os sintomas tendem a tornar-se crônicos, o uso prolongado é indicado em parte significante dos casos. Um estudo documentou boa eficácia e segurança dos inibidores da bomba de prótons por períodos de até 11 anos.
Os riscos potenciais do uso prolongado são má absorção de nutrientes, pequenos aumentos do número de fraturas ósseas depois dos 50 anos de idade (má absorção de cálcio) e de gastroenterites.
Antiácidos podem ser úteis nas crises de azia que surgem apesar da medicação.
4) Cirurgia
A cirurgia clássica (fundoplicação de Nissen) é feita por laparoscopia. Nela, a parte alta do estômago é suturada ao redor da porção distal do esôfago com o objetivo de criar uma barreira anti-refluxo.
Depois de um período eufórico nos anos 90, as indicações cirúrgicas se tornaram mais restritas, porque a eficácia é maior na cura da esofagite do que no controle dos sintomas. Avaliados depois de 10 anos, cerca de 60% dos operados voltam a tomar medicação.
Dr.Draúzio Varella
Sintomas e condições associadas à doença do refluxo podem ser classificados em dois grupos:
1) Síndromes esofágicas
Os sintomas mais comuns são: azia, regurgitação, dor à deglutição e dores no tórax. Salivação excessiva e náuseas são menos frequentes.
Há quatro condições associadas: esofagite de refluxo com erosão e necrose da mucosa de revestimento logo acima da junção com o estômago; estreitamento esofágico causado pela inflamação; esôfago de Barrett caracterizado por alterações nas células da porção terminal do órgão; e adenocarcinoma.
2) Síndromes extraesofágicas
a) Tosse crônica e laringite acompanhada de rouquidão e pigarro persistente, geralmente associada ao uso excessivo da voz, a irritantes ambientais e ao cigarro;
b) Asma (como um cofator nos casos de difícil controle das crises);
c) Erosão do esmalte dos dentes causada pelo conteúdo gástrico ao refluir até a boca.
Paradoxalmente, cerca de dois terços das pessoas que se queixam de refluxo, não apresentam nenhuma esofagite à endoscopia. Por essa razão, quando os sintomas são típicos e a resposta ao tratamento é rápida, não há necessidade de realizar endoscopias nem outros exames. No entanto, a maioria dos médicos opta pelo exame endoscópico para afastar as possibilidades de estreitamento esofágico, câncer ou esôfago de Barrett, condição que predispõe à malignização.
Em casos selecionados, exames mais complexos permitem avaliar a motilidade gástrica, quantificar a exposição do esôfago ao ácido e relacionar os sintomas com a periodicidade dos refluxos.
O tratamento envolve:
1) Dieta alimentar
Evitar frutas cítricas, tomates, cebolas, bebidas gasosas ou com cafeína, comidas apimentadas, gordurosas ou fritas, chocolate, café e chá.
2) Mudanças no estilo de vida
a) Parar de fumar;
b) Se houver sobrepeso ou obesidade, emagrecer;
c) Reduzir o consumo de álcool (especialmente vinho tinto à noite);
d) Evitar refeições copiosas, e só ir para a cama duas ou três horas depois da alimentação. Não deitar depois das refeições;
e) Nos casos em que os refluxos acontecem à noite, elevar a cabeceira da cama;
d) Não usar roupas nem cintos apertados.
3) Medicamentos
Reduzir a acidez do suco gástrico melhora os sintomas e facilita a regeneração dos tecidos lesados pela inflamação.
Existem dois grupos de medicamentos usados com essa finalidade: os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, lanzoprazol, esomeprazol e outros) e os antagonistas do receptor H2 (cimetidina, ranitidina, famotidina e outros).
Os estudos mostram que os inibidores da bomba de prótons são mais eficazes tanto na cura das esofagites e quanto no controle dos sintomas.
A duração do tratamento é extremamente variável. Como os sintomas tendem a tornar-se crônicos, o uso prolongado é indicado em parte significante dos casos. Um estudo documentou boa eficácia e segurança dos inibidores da bomba de prótons por períodos de até 11 anos.
Os riscos potenciais do uso prolongado são má absorção de nutrientes, pequenos aumentos do número de fraturas ósseas depois dos 50 anos de idade (má absorção de cálcio) e de gastroenterites.
Antiácidos podem ser úteis nas crises de azia que surgem apesar da medicação.
4) Cirurgia
A cirurgia clássica (fundoplicação de Nissen) é feita por laparoscopia. Nela, a parte alta do estômago é suturada ao redor da porção distal do esôfago com o objetivo de criar uma barreira anti-refluxo.
Depois de um período eufórico nos anos 90, as indicações cirúrgicas se tornaram mais restritas, porque a eficácia é maior na cura da esofagite do que no controle dos sintomas. Avaliados depois de 10 anos, cerca de 60% dos operados voltam a tomar medicação.
Dr.Draúzio Varella
