sábado, 30 de outubro de 2010

Cachorro abandonado

Sabe, senhor, ainda não entendi, viemos à praça, pensei ser um passeio, estranhei, ele não tinha esse hábito, mas fui, feliz. Lá chegando, me deu as costas, entrou no carro e nem me disse adeus. Olhei para os lados, nem sabia o que fazer. Ainda tentei segui-lo, quase fui atropelado. Que teria feito eu de tão mau? À noite, quando ele chegava, abanava o rabo, feliz mesmo que ele nunca viesse no quintal me ver. Às vezes, eu latia, mas tinha estranhos no portão, não poderia deixá-los entrar sem avisar meu dono. Quem sabe foi minha dona que mandou, devia estar dando trabalho. Mas não as crianças, elas me adoravam. Como sinto saudades! Puxavam-me a cauda às vezes eu ficava uma fera, mas logo éramos amigos novamente. Creio que elas nem sabem, devem ter dito que fugi. Estou faminto, só bebo água suja, meus pelos caíram quase todos, nossa, como estou magro! Sabe, Pai, aqui nesse canto que arrumei para passar a noite, faz muito frio, o chão está molhado. Creio que, hoje, vou me encontrar contigo, ai no céu meu sofrimento vai terminar, mesmo em espírito vou ter permissão para ver as crianças. Peço-vos, então, não mais por mim, mas pelos meus irmãozinhos: Mandem-lhes pessoas que deles tenha compaixão, como eu, sozinhos não viverão mais que alguns meses na terra do homem. Amenize-lhes o frio, igual o que agora sinto, com o calor de atos de pessoas abençoadas. Diminua-lhes a fome, tal qual a eu sinto, com o alimento do amor que me foi negado. Mata-lhes a sede, com a água pura de seus ensinamentos transmitidos ao homem. Elimine a dor das doenças, estripando a ignorância da terra. Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos apregoados como religiosos, laboratórios e tudo mais. Tirando das mãos humanas o gosto pelo sangue. Ampare as cachorrinhas prenhas eu verão suas crias morrerem de fome, frio e pestes sem nada poderem fazer. Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados, pois, entre todos os males o que mais me doeu foi esse. Receba, pai, nesta noite gélida, a minha alma, pois não mais será meu sofrimento, mas dos que ficarem e por eles vos peço. Nota: Ouço essa oração dos cães moribundos que vejo pelas ruas. Fonte: Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis.

FILHOS

Dizem que em certa ocasião, uma mulher que levava uma criança nos braços, propôs a Gibran:
“Mestre, falemos dos filhos”.
E ele respondeu:
Seus filhos não são seus filhos. São os filhos e as filhas dos desejos que a vida tem de si mesma
Vêm através de vocês, mas não são de vocês e, ainda que vivam com vocês, não lhes pertencem.
Podem dar-lhes seu amor, mas não seus pensamentos, pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podem abrigar seus corpos, mas não suas almas, porque suas almas moram na casa do amanhã, que nem mesmo em sonhos lhes será permitido visitar.
Podem empenhar-se para ser como eles, mas não tentem fazer como vocês fizeram, porque a vida não anda para trás, nem se detém no ontem.
Vocês são o arco por meio do qual seus filhos são disparados como flechas vivas.
O arqueiro vê o alvo sobre o caminho do infinito e dobra o arco com toda a força, a fim de que suas flechas partam velozes e para muito longe.
Que o fato de estarem nas mãos do arqueiro seja para suas felicidades, porque, assim como ele ama a flecha que dispara, ama também o arco que permanece firme.
Por isto vocês tiveram a liberdade de amar e a oportunidade de viver e fazerem suas vidas.
Deixem que seus filhos voem sós de seus ninhos quando chegar a hora e não lhes reclamem para que voltem.
Eles os quererão para sempre e terão também seus lares, nos quais, algum dia, ficarão sós, porém terão sido seus lares e suas vidas.
Deixem-nos livres.
Amem-nos com liberdade, não apaguem o fogo de suas vidas.
Vivam e deixem viver, assim eles os quererão sempre.
Louival Lopes

Solidão

Eu queria solidão, para não ferir aos outros nem ser machucada.”

“Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.”

“Lembro-me do passado, não com melancolia ou saudade, mas com a sabedoria da maturidade que me faz projetar no presente aquilo que, sendo belo, não se perdeu.”

“Meu coração se transforma a cada experiência. Mas ainda palpita, sobressalta e se assusta. Ainda é vulnerável como quando eu tinha dez anos.”

“O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância. / Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se.”
Lia Luft

Mulheres

Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo .

Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades.

E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Foi um momento inesquecível...

A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito.

Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?'

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.

A fonte da juventude chama-se "mudança".

De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora.

A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.

Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.

Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos.

Rejuvenesceu.

Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol.

Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional.

Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.

Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.

Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.

Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho.

Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho...

Lya Luft

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Poesia: Parte de Mim

Poesia - Que venham as flores...

funcionamento do cérebro humano

VIDA

Ray Charles - Yesterday (traduzido) By Heron

Princesa Diana - Singela Homenagem

Elton John - Skyline Pigeon (Legendado)

Mitos sobre o ronco

O distúrbio do sono que mais incomoda cônjuges, parceiros, filhos ou até mesmo - nos casos mais graves - vizinhos, é sem dúvida o ronco. Depois de muita reclamação, as pessoas que roncam demais buscam saída em médicos otorrinolaringologistas, quando, na maioria dos casos, a solução está na visita a um dentista. Esse desconhecimento é comum, pois a Odontologia do Sono ainda não é tão disseminada nos pacientes que sofrem de ronco. Mas este cenário já está mudando. Vamos aproveitar este espaço para desmistificar algumas crenças a respeito o ronco, e também para esclarecer algumas verdades sobre este mal.

O ronco é mais freqüente em quem dorme de barriga para cima
Não necessariamente. De barriga para cima, os músculos tendem a obstruir a garganta com maior facilidade aumentando a dificuldade da passagem do ar e as chances do ronco. Mudar de posição pode ajudar a resolver o problema nos casos mais leves. Na maioria das vezes o ronco acontece em qualquer posição. Como o ronco pode gerar consequências graves, a mudança da posição não deve ser considerada com tratamento sem a indicação de um especialista.

Roncar separa casais
Verdade. Os cônjuges sofrem com o barulho e acabam tendo insônia, passando o dia cansados, sonolentos, com todas as consequências de uma noite não dormida. Imagine isso, repetidamente, durante anos. Na maioria dos casos, os casais passam a dormir separados.

Roncar é sinal de sono profundo
Mito. É exatamente o contrário, quem ronca não dorme bem, não atinge sono profundo, não tem sono reparador, não relaxa e não descansa. Pode ainda ter apneia do sono.

Roncar pode causar disfunção erétil
Verdade. O corpo do roncador, por não descansar bem, acaba perdendo energia e causando mais cansaço. Essas condições podem levar a problemas de ereção, desde que tenha apnéia do sono.

O ronco pode causar apneia
Verdade. Roncar não é normal e é sinal de apneia do sono (falta de ar por mais de 10 segundos).

Apneia é perigoso
Verdade. A apneia fragmenta o sono e altera os níveis de oxigênio no sangue gerando conseqüências graves para a saúde e a qualidade de vida como: hipertensão e problemas cardiovasculares, cansaço e sonolência diurna, depressão, irritabilidade, diminuição da concentração e do raciocínio, diminuição da libido e impotência sexual; e ainda aumenta muito a chance de acidentes no trabalho e no trânsito.

O ronco é um distúrbio de saúde e do sono de natureza crônica e pode ser tratado com um aparelho oral.

Ronco não tem solução
Mito. O ronco é um distúrbio de saúde e do sono de natureza crônica e pode ser tratado com um aparelho oral de eficácia comprovada. O aparelho estimula a musculatura da língua, da garganta e do céu da boca, impedindo o estreitamento e fechamento da via aérea quando respiramos. Dessa forma o ronco é controlado e o indivíduo não desenvolve as conseqüências do ronco.

O ronco pode causar problemas cardio-vasculares
Verdade. Hoje sabemos que só o ronco, mesmo sem apneia, pode gerar problemas na artéria carótida por causa da vibração frequente dos músculos do canal de passagem do ar, acontecer muito perto da carótida. A carótida pode ficar calcificada e pode acontecer o acidente vascular cerebral, o derrame.

O dentista do sono é o especialista mais indicado para solucionar o ronco
Verdade. A placa ou aparelho intra-oral é um ótimo tratamento para o ronco quando bem realizado e bem acompanhado pelo especialista. O aparelho mudará o relaxamento dos músculos da garganta e manterá as vias aéreas abertas para a passagem do ar.

Como se dá o tratamento do ronco
Por incrível que possa parecer, próteses ou aparelhos nos dentes feitos especificamente para o paciente com distúrbios do sono, são métodos altamente eficazes para eliminar o problema. Primeiramente, peço um estudo detalhado que pode ser feito em Clínicas de Exame do Sono, cujo responsável é um médico do sono. Com esse diagnóstico, temos condições de saber os níveis de ronco e se existem outros distúrbios do sono presentes, como a própria apneia ou o bruxismo do sono. O aparelho oral é confeccionado de acordo com o tipo de arcada dental de cada indivíduo. Existem vários tipos de aparelhos, escolhidos após uma avaliação das condições orais e faciais que incluem um exame odontológico completo da boca, dos dentes e gengivas, dos músculos da face e da mastigação e articulação da mandíbula - a ATM. Com o aparelho, o ar vai passar por uma garganta ou via aérea mais aberta, livre da resistência provocada pelo relaxamento dos músculos aumentados nos indivíduos com ronco e apneia do sono.

Como se dá o tratamento do ronco
Por incrível que possa parecer, próteses ou aparelhos nos dentes feitos especificamente para o paciente com distúrbios do sono, são métodos altamente eficazes para eliminar o problema. Primeiramente, peço um estudo detalhado que pode ser feito em Clínicas de Exame do Sono, cujo responsável é um médico do sono. Com esse diagnóstico, temos condições de saber os níveis de ronco e se existem outros distúrbios do sono presentes, como a própria apneia ou o bruxismo do sono. O aparelho oral é confeccionado de acordo com o tipo de arcada dental de cada indivíduo. Existem vários tipos de aparelhos, escolhidos após uma avaliação das condições orais e faciais que incluem um exame odontológico completo da boca, dos dentes e gengivas, dos músculos da face e da mastigação e articulação da mandíbula - a ATM. Com o aparelho, o ar vai passar por uma garganta ou via aérea mais aberta, livre da resistência provocada pelo relaxamento dos músculos aumentados nos indivíduos com ronco e apneia do sono.

Dr Eduardo Rollo Duarte
Especialidade: Dentista

Insônia 2

Pessoas com insônia crônica apresentam um risco elevado de morte, de acordo com uma pesquisa apresentada em San Antonio, no Texas, na 24ª reunião anual da Associated Professional Sleep Societies. Os resultados indicam que a taxa de risco ajustado para todas as causas de mortalidade foi três vezes maior em pessoas com insônia crônica, em comparação a pessoas que não sofrem com o problema.

Existem quatro subtipos de insônia: insônia precoce com despertar crônico, insônia de manutenção do sono (dificuldade para voltar a dormir), insônia de início do sono e insônia que faz a pessoa despertar diversas vezes durante a noite. Os pesquisadores descobriram que o risco de morte era de dois a três vezes mais elevado, independentemente do subtipo de insônia relatado pelos pacientes.

"O resultado mais surpreendente foi o aumento do risco elevado de mortalidade em indivíduos com insônia crônica, mesmo após o ajuste para todas as variáveis de confusão", disse o autor Laurel Finn, bioestatístico da Universidade de Wisconsin-Madison. "O outro achado importante foi a não diferenciação entre os subtipos de insônia em relação ao risco de mortalidade".

O estudo, feito pela National Heart Lung and Blood Institute, nos EUA, envolveu 2.242 participantes que completaram questionários enviados para os anos 1989, 1994 e 2000. Os participantes que foram considerados como tendo insônia crônica relataram sintomas de insônia em pelo menos dois dos inquéritos.

As taxas de risco estimado de mortalidade foram ajustadas para o índice de massa corporal, idade e sexo, bem como as condições médicas, como bronquite crônica, infarto, derrame, hipertensão, diabetes e depressão, relatadas a cada paciente. Durante a pesquisa, 128 participantes que tinham o problema morreram.

Finn adicionou que os resultados enfatizam a necessidade de médicos para fornecer tratamentos eficazes para a insônia, mesmo na ausência de problemas de saúde. "A insônia é um sintoma pesado e tem um impacto negativo na qualidade do sono, o que pode levar as pessoas a procurarem tratamento", disse. "A identificação de insônia como fator de risco de mortalidade pode ter implicações clínicas e elevar o nível de prioridade para o seu tratamento."

Uma boa noite de sono

Um estudo anterior realizado pela American Academy of Sleep Medicine provou que dormir bem é um dos segredos para a longevidade. A partir da análise de 2.800 pessoas, os resultados mostraram que cerca de 65% das pessoas relataram que sua qualidade de sono foi boa ou muito boa e o tempo médio diário de sono foi 7,5 horas, incluindo cochilos.

Os mais velhos, de 100 anos, e os adultos acima de 70, foram os mais prováveis de relatar boa qualidade de sono do que os participantes mais jovens, de 65 a 79, após controle de variáveis como as características demográficas, socioeconômicas e de saúde.

O neurologista Shigueo Yonekura, do Instituto de Medicina e Sono dá dicas simples de como espantar a insônia:

- Leia um livro: a leitura ajuda a melhorar a insônia, porém recomenda-se que sejam livros menos complexos e não tão interessantes, porque senão o efeito pode ser o inverso;

- Escolha a trilha sonora: Escutar uma música antes de dormir pode ajudar a embalar o seu sono. "É melhor ouvir algo mais calmo, que te faça relaxar. Um ritmo mais acelerado vai te deixar agitado", diz o neurologista;

- Prepare um chá morninho: Os chás, que não são à base de cafeína, em geral, ajudam a relaxar e por isso são bons indutores do sono;

- Faça uma massagem: "A massagem ajuda a dormir, pois relaxa os músculos e a mente. Uma das maiores causas da insônia, hoje em dia, é o estresse e as tensões acumuladas. A massagem é benéfica porque alivia estes sintomas", explica Shigueo.

Sono x Cerebro

Uma pesquisa feita por estudiosos da Universidade de Harvard e do Boston College, nos Estados Unidos, mostrou que o sono influencia no armazenamento de fatos, guardando ou excluindo memórias, conforme a significância emocional que elas apresentam.

Na prática, foi notado que um período de sono ajuda o cérebro na hora de guardar lembranças mais emocionais e eliminar aquelas mais neutras. Os resultados foram alcançados depois de testes feitos com 88 estudantes universitários.

Todos os participantes presenciaram cenas que apresentavam objetos neutros, como um carro estacionado em frente a algumas lojas, e cenas que traziam objetos com aparência negativa, como um carro estraçalhado estacionado em uma rua parecida.

Para verificar o impacto do sono na seleção da memória, os pesquisadores dividiram os participantes em três grupos. O primeiro passou por um teste de memória, durante o dia, mas depois de 12 horas acordados. O segundo grupo passou pelo mesmo teste depois de 12 horas noturnas, que incluíram o período normal de sono. Já os estudantes do terceiro grupo foram submetidos ao teste de memória depois de 30 minutos que presenciaram as cenas.

Os resultados apontam que a maioria dos estudantes do primeiro grupo, que fizeram o teste depois de 12 horas acordados, não se lembrou do aspecto negativo das imagens, assim como se esqueceu dos objetos neutros. Entre os estudantes que fizeram o teste de memória depois de um período de sono, a maioria recordou dos objetos negativos. A precisão dos detalhes desta cena foi a mesma relatada pelos estudantes que passaram pelo teste meia hora depois de terem visto as imagens.

Os estudiosos chegaram à conclusão de que a cena lembrada tinha maior impacto emocional e, por isso, foi priorizada pelo cérebro, durante o sono. Além de armazenar melhor as lembranças mais importantes, os estudantes que dormiram antes dos testes não haviam retido muitos detalhes sobre as cenas neutras. Isso demonstraria que o sono ajuda na seleção das memórias.

A pesquisa indica ainda, que o cérebro consegue desatar os componentes emocionais da memória durante o sono. Esse desligamento permite que o cérebro faça uma operação seletiva e armazene somente as informações que considera mais importantes.

Estresse e ausência de nutrientes prejudicam memória
Quando a memória começa a falhar insistentemente pode ser sinal de que seu cérebro precisa de mais atenção. Segundo a nutricionista funcional Patricia Davidson, da clínica que leva seu nome, no Rio de Janeiro, o estresse é um dos maiores agentes que interferem na memória. Ela explica que isso acontece por causa do cortisol, hormônio liberado em situações estressantes, que interfere na produção de novas células neuronais, afetando a memória.



A nutricionista afirma que a alimentação pode entrar em cena como combatente da perda de memória. O contrário também acontece. Quando uma pessoa apresenta dificuldade de concentração ou de se lembrar dos fatos, é provável que estejam faltando determinados nutrientes importantes para a saúde do cérebro e manutenção da boa memória , ressalta.

Para melhorar a memória e o desempenho cerebral, a nutricionista funcional cita uma série de nutrientes. Entre eles, uma vitamina chamada colina. Patricia explica que o nutriente faz parte do complexo B e auxilia no funcionamento cerebral. Ela pode ser encontrada na lecitina de soja e ser usada em grânulos, adicionados a sucos, sopas, salada ou frutas, com duas colheres de sopa ao dia , ensina. A especialista informa ainda, que a gema de ovo é a maior fonte de colina e deve ser consumida diariamente por quem deseja notar melhorias na memória.

Mais alimentos ricos em complexo B são os grãos minerais. Eles trabalham a favor da função cognitiva e são encontrados em cereais integrais como arroz, centeio, gérmen de trigo, feijão e peixe. O guaraná e o cacau também são bons aliados nesta tarefa. Mas precisam ser usados com moderação, cerca de uma colher de chá por dia , destaca.

Outra gordura essencial para o bom funcionamento do cérebro é o ômega-3. Ele tem papel importante no desenvolvimento do cérebro em crianças e mantém a função cerebral normal em adultos , esclarece. Para encontrar a gordura, Patricia recomenda peixes de água fria, como sardinha e salmão, e linhaça.
www.minhavida.com.br

síndrome da apneia obstrutiva do sono

A chamada "síndrome da apneia obstrutiva do sono" pode se tornar um problema crônico, podendo causar até a morte. A apneia é caracterizada pela parada da respiração durante o sono, um distúrbio que está associado ao ronco, que é causado por um estreitamento das vias aéreas o que dificulta a passagem do ar, levando ao barulho e também à apneia.

Os mais afetados por este tipo de distúrbio são as pessoas acima do peso ou acima dos 30 anos de idade. Esta síndrome afeta muitas pessoas e causa sonolência diurna, falta de disposição para o trabalho, cansaço corporal e irritação, entre outros problemas.

Quem normalmente sofre com esses problemas, imagina que pode ser culpa do estresse do dia a dia. Mas, na verdade, os sintomas são resultados de noites mal dormidas - justamente por causa do ronco e apneia. Como a pessoa acorda sonolenta, ela pode ter também um aumento de peso, já que está cansada para praticar exercícios físicos regulares.

"Os sintomas da apneia podem desencadear depressão, falhas de memória e diminuição do rendimento intelectual"

É inegável que a longo prazo esses sinais acabem por interferir na vida das pessoas, podendo levar à depressão, falhas de memória e diminuição do rendimento intelectual, o que afetará não só as relações pessoais, mas também as profissionais.

Durante as "crises" de apneia, o ciclo de sono é interrompido, por isso o corpo não obtém o descanso necessário e, a curto e longo prazo, este distúrbio causa diversos tipos de problemas em todo o corpo, entre eles estão os cardíacos, cerebral, neurológico, hipertensão, diabetes e até disfunção sexual.
Para uma noite bem dormida


- A TV deve ficar na sala. Evitar colocá-la no quarto ajudará você a pegar no sono de forma totalmente relaxada;
- A temperatura do quarto deve ser agradável;
- Quanto mais escuro o quarto, mais tranqüilo o sono.

Tratamentos mais comuns

A apneia pode ser combatida através do tratamento médico com máscara nasal , o cpap, ou com placa dental executada pelo dentista do sono.

Como o ronco e apneia do sono são distúrbios crônicos , a princípio, o uso desses aparelhos é para sempre.

Dr Eduardo Rollo Duarte
Especialidade: Dentista

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Medo de avião - Belchior

Escrito nas Estrelas - Tetê Espíndola

Foi Deus Quem Fez Você

BORBOLETAS VITOR & LEO(LEGENDADO)

PLANETA ÁGUA - GUILHERME ARANTES(RECORDAÇÕES ANOS 80)

AMIGO DO SOL AMIGO DA LUA TT.BF E BENITO DI PAULA

Benito di Paula - Charlie Brown

Peninha-Sonhos (Karaokê) www.baixekaraokegratis.com

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Viver ou Juntar dinheiro?

Viver ou Juntar dinheiro?

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais.
E assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"

Que tal um cafezinho?

Fraternal abraço,
José Dutra.

Mulher, Sua Origem e Seu Fim

Mulher, Sua Origem e Seu Fim

Existem várias lendas sobre a origem da Mulher. Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher. E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e agüentar o seu mau humor enquanto ele convalescia da operação. Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez o homem às pressas, pensando "Depois eu melhoro", e mais tarde, com o tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou mulher, que é "melhor" em aramaico.
Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas, e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só para não jogar barro fora. Zeus teria arrancado a mulher de sua própria cabeça. Alguns povos nórdicos cultivam o mito da Grande Ursa Olga, origem de todas as mulheres do mundo, o que explica o fato das mulheres se enrolarem periodicamente em pêlos de animais, cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço. Em certas tribos nômades do Meio Oriente ainda se acredita que a mulher foi, originariamente, um camelo, que na ânsia de servir seu mestre de todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma atual. No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já de kimono. E em certas partes do Ocidente persiste a crença de que mulher se compra através dos classificados, podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de massagem.
Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica.
Hoje se sabe que o Homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primevo, e é o descendente direto de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estágio atual - e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda sabe de onde veio. É certamente ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos. A minha mãe, não!
Uma das teses mais aceitáveis sobre o papel da mulher na evolução do homem é a de que o primeiro encontro entre os dois se deu no período paleolítico, quando um homo-sapiens mas não muito, chamado, possivelmente, Ugh, saiu para caçar e avistou, sentado numa pedra penteando os cabelos, um ser que lhe provocou o seguinte pensamento, em linguagem de hoje:
"Isso é que é mulher e não aquilo que tenho na caverna".
Ugh aproximou-se da mulher e, naquele seu jeitão, deu a entender que queria procriar com ela. "Agh maakgrom grom", ou coisa parecida. A mulher olhou-o de cima a baixo e desatou a rir. É preciso lembrar que Ugh, embora fosse até bem apessoado pelos padrões da época, era pouco mais do que um animal aos olhos da mulher. Tinha a testa estreita e as mandíbulas pronunciadas e usava gordura de mamute nos cabelos. A mulher disse alguma coisa como "Você não se enxerga, não?" e afastou-se, enojada, deixando Ugh desolado. Antes dela desaparecer por completo, Ugh ainda gritou "Espera uns 10 mil anos pra você ver!", e de volta à caverna exortou seus companheiros a aprimorarem o processo evolutivo.
Desde então, o objetivo da evolução do homem foi o de proporcionar um par à altura para a mulher, para que, vendo o casal, ninguém dissesse que ela só saía com ele pelo dinheiro, ou para espantar assaltantes. Se não fosse por aquele encontro fortuito em alguma planície do mundo primitivo, o homem ainda seria o mesmo troglodita desleixado e sem ambição, interessado apenas em caçar e catar seus piolhos, e um fracasso social.
Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?
Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta. Venho observando-as durante anos - inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto - e julgo ter colecionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo. Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa. Ultimamente têm tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e fazendo coisas - como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado - impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se
trata de uma estratégia para camuflar nossas diferenças, que estavam começando a dar na vista.
Quando comentamos o fato, nos acusam de ser machistas, presos a preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então roçam a nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como "ioink, ioink" que nos deixam arrepiados e sem argumentos. Claramente combinaram isto. Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra. É o que fazem quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás para ouvir. Muitas vezes, mesmo na nossa presença, falam uma linguagem incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para transmitir instruções do Planeta Mãe. E têm seus golpes baixos. Seus truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros,
suas bocas. Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles mísseis inteligentes. Aquela curva suave da coxa quando está chegando no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso! E as armas químicas - perfumes, loções, cremes. São de uma civilização superior, o que podem nossos tacapes contra os seus exércitos de encantos?
Breve dominarão o mundo. Breve saberemos o que elas querem. Se depois de sair este artigo eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente asfixiado, como um sorriso, minha tese está certa. Se nada me acontecer, é sinal de que a tese está certa, mas elas não temem mais o desmascaramento. O que elas querem, afinal? Se a mulher realmente veio ao mundo para inspirar o homem a melhorar e ser digno dela, pode ter chegado à conclusão de que falhou, que este velho guerreiro nunca tomará jeito. Continuaremos a ser mulheres com defeito, uma experiência menor num planeta inferior. O que sugere a possibilidade de que, assim como veio, a mulher está pronta a partir, desiludida conosco. E se for isso que elas conspiram nos banheiros? A retirada?
Seríamos abandonados à nossa própria estupidez. Elas levariam as suas filhas e nos deixariam com caras de Ugh. Posso ver o fim da nossa espécie. Nossos melhores cientistas abandonando tudo e se dedicando a intermináveis testes com a costela, depois de desistir da mulher sintética. Tentando recriar a mágica da criação. Uma mulher, qualquer mulher, de qualquer jeito. Prometemos que desta vez não as decepcionaremos.
Uma mulher!
Como é que se faz uma mulher?

Luiz Fernando Veríssimo

Mãe Adotiva

Mãe Adotiva

Mamãe,
Você chegou assim tão de repente.
Tantas dores eu passei

Mas no fundo eu sabia que havia um porto seguro para mim
Consegui amortecer o meu passado em seus braços seguros, eternos e com suas doces palavras que me libertaram da dores que por muito tempo eu senti.

Aprendi a entender que você é uma das poucas pessoas que é capaz de me tornar-me muito feliz e como eu precisava disso!!

Parei de falar com a noite vazia e comecei a falar palavras guardadas dentro do meu coração que por bastante tempo me machucaram.

Hoje tenho você; tenho o sol, a lua as estrelas, o céu e o infinito, tenho o que mais precisava o AMOR.
Obrigada. Você e o papai fizeram renascer em mim a VIDA.

Me mostraram o que é felicidade paz e me ensinaram andar sem ter medo.

Autor Desconhecido

Os Dez Mandamentos dos Casais

Os Dez Mandamentos dos Casais

I - Nunca irritar-se ao mesmo tempo.

II - Nunca gritar um com o outro.

III - Se alguém deve ganhar numa discussão, deixar que seja o outro.

IV - Se for inevitável repreender, fazê-lo com amor.

V - Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado.

VI - A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge.

VII - Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo.

VIII - Pelo menos uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa.

IX - Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas.

X - Quando um não quer, dois não brigam.

Profº Felipe Aquino

Pai Eternamente Pai

Pai Eternamente Pai

Sabemos que, para pai, não há tempo e nem lugar
para cochichos, cochilos e amenidades outras. Porém,
quando seu pai houver envelhecido,
e, infelizmente, esta hora virá,
quando aquilo que, em tempos idos,
ele fazia com facilidade e
felicidade,
agora é com dificuldade que faz,
quando os seus olhos queridos e leais,
já a vida como antes não olharem mais,
quando as suas pernas ficarem fatigadas,
e não o quiserem mais carregar,
empreste-lhe o seu braço como apoio,
siga a seu lado com contentamento e alegria.
A hora virá (ela virá) quando, chorando,
você sentirá saudades de tudo o que fez e do que não fez!
E, se alguma coisa ele lhe perguntar, responda.
E, se voltar a perguntar, volte a responder.
E, se outra vez falar, fale com ele; sempre com candura,
nunca com impaciência, mas gentilmente!
E, se não conseguir compreender bem,
volte tudo a explicar, com alegria;
Ninguém o amou tanto, e com tanto fervor,
quanto seu.....
Pai!

Autor Desconhecido

Simples Mortais

Simples Mortais

Nas sombras da dor e saudade
Vivo esperando uma luz
Que possa um dia talvez
Morar no meu cansado e triste coração
Que bate e sobrevive agarrado
A forças jão não existentes em terra firme
Que talvez jánão perceba a futilidade de não perceber
Onde começa um dia e termina o outro..
Ah! Se eu pudesse ser mais do que sou
Enxergar do mundo
Muito mais do que meus olhos podem ver
Se eu soubesse que a vida
Não é apenas uma viagem sombria
Que a cada passo termina deixando marcas
Que quem sabe em outras vidas,
Sejam exemplos de força e coragem...
O universo gira para que tudo mude
Para qu todos nós seres humanos
De inteligência extraordinária
Possamos mostrar uns pros outros
Que nossa existência faça algum sentido
Errando ou acertando
Mas qu apesar de tudo
Somos além da vida
Simples Mortais...

Viviana Oliveira

Alma

Alma

Um reflexo dos sentidos
Guardiã de sentimentos
Doutrina de pensamentos.
Alma
Tudo do real,
Razão da busca
Mistério da vida.
Alma
Algo que se possa sentir
É única
Imortal...
Pertence a Deus
Mas somos nós que administramos
Seus caminhos...
Alma
Segredo de uma personalidade
Um porque sem respostas,
Um mundo misterioso,
Um saber desconhecido.
Alma,
Alma Gêmea
Duas partes formando uma aliança de amor
Alma de um Anjo
Um coração tomado por ternura...
Alma
Simplesmente a luz da vida
Base do mundo
Conteúdo dos sonhos
Luz de Um Corpo...


Autor ( Fabiana Thais Oliveira )

O Poder da Lágrima

O Poder da Lágrima

Você já pensou na força e no poder da lágrima?
Pense agora um pouco no que vale esta gotinha de sentimento que nasce na genuína fonte do seu ser emotivo e cai dos seus olhos como expressão de você mesmo.
Ela é o retrato molhado do sofrimento, do mesmo modo como é a doce resposta do amor e da felicidade. Ela vem dizer cá fora tudo o que você está sentido lá, bem no fundo do seu ser. Ela é o brilho de uma dor que o Pai abençoou, mas é também a melhor prova do agradecimento pela alegria sentida.
A sua lágrima é a linguagem mais eloqüente da sua sinceridade!

Com muita paz e harmonia!!!


Autor ( Desconhecido )

Inércia

Inércia

Se me afundo na alma
Ouço o som de uma noite calma
E uma voz que me diz docemente:

Olha o brilho das estrelas
Vê como elas são belas!

Fito esse brilho cintilante
E tento alhear-me do profundo.

Profundo que me choca
Profundo que me chama.

Se me afundo na vida
Onde nada me falta
E tudo me detém…

…Sou silêncio e alma ferida
Inércia forçada ou consentida…

…Só a esperança me contém.


Autor ( Maria Júlia Reina )

Hora da Paz

Hora da Paz

E fez-se então, a hora da paz
Os povos calaram-se
simultaneamente
E ouviram a voz das águas
Das montanhas, da natureza
Dos animais, e nada mais
O ar soprou forte
Fazendo folhas rodopiarem
Ninguém agiu nem falou
Ninguém se moveu
E então,
A humanidade entrou
Na imensidão do silêncio
E vivenciou
A mais perfeita paz
Naquela hora
Nenhuma arma foi acionada
Nenhuma máquina foi ligada
Nenhuma agressão foi cometida
Nenhuma sirene soou
Nenhum alarme disparou
Apenas funcionava
O que da vida cuidava
E, pela primeira vez
A humanidade conheceu a paz

Minutos antes de terminar
Todos estavam armados
Com uma pequena semente
Que ao soar o sinal programado
Foram lançadas à terra

Em todo o mundo
A paz foi semeada
Na Terra
E no coração
De cada um

O sábio que profetizou
A hora da paz
Proclamou à humanidade:
E uma nova linguagem há de vir
Há de vir para ficar
Que traduz união
Justiça, igualdade
É a linguagem da paz

Somos todos irmãos
Somos todos iguais
Somos filhos da Terra
do Sol, da Água, do Ar
Somos todos peregrinos
Por esta Terra a viajar
Entrando para o novo milênio
Com a mais intensa missão
A missão de promover a paz

Uma nova linguagem
Há de vir
Há de vir para pacificar
Que traduz a Fé
A esperança, o amor
É a linguagem da paz
Que será falada, sentida, cantada
De norte a sul, de leste a oeste
Em todo planeta terrestre
Ecoará pelos confins da alma
E se expandirá pelo imenso universo
É a linguagem da paz
Que todos conhecerão
Que virá de dentro de cada ser
Para promover a união
Até que um só povo
Um povo multicor
De mãos dadas dançará
Entoando a mais bela canção
Todos a uma só voz
Unidos
Em nome da PAZ


Autor ( Desconhecido )

Despertar

Despertar

Sinto falta,
Daquele que me fez sorir,
crescer, amar
E me fez morrer por dentro
A saudade dói,
Tanto, que tenho medo de fechar os olhos
E não poder mais acordar...
O primeiro olhar do dia não é meu
Nem o pensamento
O despertar e a rotina
O calor, a vida
É dele,
Meu inesquecível amor
Que me tornou essa conformada
Forma de ser e sentir...
Sem sol e sem lua,
O meu mundo estranho
meu deixa tão aluscinada
Louca, doente
Por esse vazio que mora em mim
Nem sei mais quem sou,
nem o que faço
Tudo gira e muda em torno de mim
E meu corpo continua assim,
Desejando,
Desejando...
O Meu Amor...

Viviana Oliveira

Coisas do Coração

Coisas do Coração

Minha vida, para mim é um sonho
Sonho que é tudo lindo e puro,
Mas muitas vezes ilusão.

Um dia o vidro da ilusão se quebra
E com ele,
O meu coração também se retalha
Deixando os meus pedaços
Espalhados pelo vento
O mesmo que leva o seu pensamento.

Do qual não faço mais parte
Sei que sua vida é um quebra-cabeça
Eu tenho peças dele
E só eu sei montá-lo.

Por que não pedir a mim para te ajudar?
Nunca negarei nem um só sorriso a você
Espero que o seu sentimento
Não tenha sido levado pelo vento
E a mim?
Só me resta esperança.

Armando Duarte

Você é Especial

Você é Especial

Especial é usado para descrever algo lindo,
Como um anoitecer,
Um pôr-do-sol,
Uma pessoa que transmite o amor
Com um sorriso ou um gesto amável.
Especial é quem age com um coração puro,
E mantém na mente os corações de outros.
Especial aplica-se a algo admirado,
Que não pode nunca ser substituído.
Especial é a palavra
Que tenho para descrever
“Você!”

Autor Desconhecido

ENXAQUECA

A dor de cabeça parece que já faz parte do nosso dia a dia. São tantas as atividades, os problemas, o estresse e as cobranças que é inevitável sentir, ao final do dia, aquelas pontadas latejantes lá no fundo. Pior é quando essas dores passam a ser constantes e intensas. Aí vem aquela sensação de que a cabeça vai explodir, os olhos ficam sensíveis à luz e a qualidade de vida cai muito. O nome disso? Enxaqueca.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), existem mais de 150 tipos de dor de cabeça. Dentre elas, a enxaqueca é, talvez, a que mais afeta a qualidade de vida dos pacientes. "A enxaqueca é muito mais que uma dor. Dá a sensação de que a cabeça está enorme, pulsando, martelando ou que o cérebro está sendo pressionado num ritmo enlouquecedor. Tudo passa a incomodar: a luz é uma tortura, os odores são um sacrifício, os sons transformam-se em ruídos ensurdecedores, o estômago revira e os vômitos são a consequência natural. Esse martírio pode durar dias, num vai e vem de intensidade maior e menor que impede a realização da maior parte das atividades do dia", explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, da Unifesp.
dor de cabeça - foto: getty images

Segundo a SBC, cerca de 30 milhões de brasileiros sofrem com esse problema e, dentre esses, 75% são mulheres. "Muitas podem ser as causas da enxaqueca, desde problemas tensionais, normalmente associados ao estresse, até resultantes de tumores, aneurismas, medicamentos fortes e até ressaca", ensina a especialista. Uma pesquisa recente publicada na Nature Medicine descobriu que o DNA pode fazer umas pessoas serem mais propícias a ter enxaqueca do que outras. Tudo por conta da presença de um gene conhecido como Tresk, que faz com que fatores do ambiente ativem áreas do cérebro que controlam a dor, inativando-as. Os especialistas agora estão focados na formulação de um medicamento que ative essa área do cérebro.

Quem sofre com a dor insuportável sabe o quanto é difícil ficar simplesmente esperando que ela passe. Mas, para além dos vários tratamentos para o problema, existem alguns hábitos que quem quer se livrar de vez da enxaqueca, deve abandonar. Confira a lista abaixo:
enxaqueca - foto: getty images
1. Abuso de analgésicos

Quem abusa de analgésicos para se livrar da dor, ou seja, toma mais de um comprimido por semana corre o risco de alimentar a própria dor. "O analgésico bloqueia todos os mecanismos de defesa natural para combate da dor de cabeça. O uso prolongado e indiscriminado desse tipo de medicamento faz com que o corpo fique dependente do medicamento", explica a neurologista Claudia Klein, especialista do Minha Vida.

Em outras palavras, o organismo fica viciado a tal ponto que passa a "produzir" a dor para que o analgésico precise agir. Além disso, o analgésico também impede a produção de serotonina, hormônio neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e relaxamento, agravando a dor depois de certo tempo. "Muitas pessoas costumam tomar o analgésico ao menor sinal de dor e, assim, esquecem de tratar o problema. É preciso buscar tratamentos reais com medicação indicada o médico especialista", aconselha Claudia Klein.
2. Má alimentação

De acordo com a neurologista, alguns alimentos devem ser evitados por quem sofre de enxaqueca, como, por exemplo, o aspartame, condimentados, leite e derivados, alimentos cítricos, chocolate e café. "Esses alimentos contêm substâncias que interagem com a bioquímica cerebral do organismo, alterando a ação de determinadas enzimas e diminuindo a quantidade de serotonina, hormônio ligado à enxaqueca", explica Claudia Klein. Além disso, a especialista afirma que pior do que o consumo desses alimentos, é ficar em jejum por tempo prolongado - mais de 4 horas sem comer - ou ter uma alimentação baseada em frituras e doces, por isso, ter um cardápio equilibrado e controlado é uma ótima medida preventiva.
cigarro - foto getty images
3. Tabagismo

Que fumar é uma bomba para o organismo, todo mundo já sabe. A novidade é que, além de todos os males, a nicotina ainda é associada à alteração da circulação sanguínea e enrijecimento dos vasos sanguíneos, o que, segunda a neurologista Claudia Klein, também pode acabar provocando a enxaqueca.

Além disso, um recente estudo norueguês publicado pela revista médica Neurology avaliou 6 mil estudantes e descobriu que o tabagismo, associado ao sobrepeso e ao sedentarismo, triplica as chances de jovens desenvolverem enxaqueca. Os autores disseram não ter ficado claro se esses fatores do estilo de vida provocam a cefaleia ou se eles agem mais como desencadeadores em jovens já vulneráveis. Pelo sim, pelo não, é melhor prevenir e ficar longe do cigarro.
4. Ser sedentário

Um dos grandes males da população, os hábitos sedentários afetam em muitos aspectos a qualidade de vida. Além de contribuir para o surgimento de obesidade, hipertensão, diabetes e problemas cardíacos, o sedentarismo é uma porta aberta para a enxaqueca.

Uma pesquisa conduzida na Suécia demonstrou que pessoas que se envolvem em um programa de atividades aeróbicas apresentam queda significativa na frequência e intensidade das dores de cabeça crônicas e enxaqueca. O programa de treinamento aplicado na pesquisa consistia em treino de 40 minutos de bicicleta ergométrica praticada três vezes por semana.

"A pessoa que sofre de enxaqueca já tem uma produção baixa de serotonina, e os exercícios físicos estimulam a produção desse hormônio. Se a pessoa não fizer nenhum tipo de atividade que compense essa baixa, vai ser difícil reverter o quadro", explica a neurologista Claudia Klein.
sedentarismo - foto: getty images
5. Consumir álcool

Como a enxaqueca é um problema de origem vascular, cuja dor é provocada pela contração e dilatação dos vasos sanguíneos, o consumo de bebidas alcoólicas pode ser uma opção ruim para quem lida com o problema. A especialista Claudia Klein explica: "As bebidas alcoólicas quando ingeridas em excesso provocam dilatação dos vasos do corpo e do cérebro, o que acaba acentuando o incômodo da enxaqueca."


6. Se render ao estresse

Tudo o que gera estresse e desequilíbrio para o organismo pode agravar a enxaqueca de quem já tem predisposição. Trabalho em excesso, ficar sem comer por muito tempo, nervosismo, insônia ou dormir pouco, chateação e outros problemas emocionais podem ser uma porta aberta para a dor incômoda. Quem sofre com os dramas do estresse, deve procurar tratamento. Buscar métodos, como massagem e acupuntura, e dar mais valor ao momentos de lazer e relaxamento são atitudes importantes. "A acupuntura é bem eficiente, pois provoca microestímulos que ajudam o corpo a recuperar o equilíbrio de forma natural", garante a neurologista Claudia Klein.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os genes e a alma humana

Os genes e a alma humana

A maioria de nós acredita na existência de uma alma imortal, característica inequívoca da condição humana. Pondo a imortalidade de lado, pois se trata de questão de fé, seria cabível dizer que o conjunto de genes contidos no genoma constituiria o substrato bioquímico da alma humana? Vejamos.
Na fertilização, os genes que vêm com o espermatozóide formam pares com os que estão no óvulo, formando o zigoto (ou ovo), que vai se multiplicar e dar origem ao embrião. Cada um dos pares materno-paterno de genes será responsável por determinada característica do futuro ser, da cor dos olhos à probabilidade de apresentar leucemia aos quatro anos.
Caracterizar o momento em que se forma um ser humano provoca discussões acaloradas, a partir de pontos de vista inconciliáveis.
Embora espermatozóides e óvulos sejam células vivas programadas pela seleção natural para exercer a função de constituir um novo indivíduo, nunca ouvi alguém atribuir o início da vida humana ao instante em que essas células reprodutivas são formadas no organismo. Fosse assim, teríamos desenvolvido técnicas para colher e preservar em locais sagrados todos os óvulos não fecundados e, do ponto de vista legal, a masturbação masculina seria condenada como ato de genocídio.
É comum, entretanto, considerar que o instante da criação coincide com a fecundação. Por acreditar nessa idéia, tantos defendem a opinião de que ao zigoto devem ser garantidos todos os direitos da pessoa humana. A lógica é a de que espermatozóide e óvulo, ao misturarem seus conteúdos genéticos, disparam um processo irreversível, que fatalmente resultará numa criança.
A ciência pode contribuir para tentarmos esclarecer que processo é esse. Quando os genes da mãe se juntam aos pares com os do pai, de fato emerge um programa genético (como os programas de computadores) que vai dirigir por conta própria o desenvolvimento do novo ser, da primeira divisão celular à formação do último fio de cabelo. Esse programa genético desempenhará seu papel de condutor durante toda a gestação e se manterá estável pelo resto da vida do futuro ser. Contentes ou furiosos, carregaremos até a morte as características condicionadas pelos genes que herdamos de nossos progenitores.
Se imaginarmos a condição humana já embutida no zigoto, podemos considerar o genoma como a estrutura molecular correspondente à alma humana? Se concedermos tal "status" ao genoma, deveremos considerar, então, que animais como os chimpanzés, cujos genes são em mais de 98% idênticos aos nossos, têm alma parecida com a nossa? Caso contrário, com o avanço da tecnologia, quantos genes nossos precisaremos transplantar para que um chimpanzé adquira alma?
Como alternativa a esses dilemas, outros partem da constatação de que a vida na Terra resulta obrigatoriamente de um programa genético individual, específico para cada espécie, que evoluiu a partir dos mesmos ancestrais, através de mecanismos de competição e seleção natural. O que nos faz humanos não é a forma do corpo, mas a atividade do sistema nervoso central. Nesse sentido, somos mesmo um experimento original da natureza. Não existe outra espécie com neurônios capazes de executar operações cognitivas da complexidade das nossas e, principalmente, não há outro animal que conte com algo semelhante ao que chamamos consciência.
Nessa linha de pensamento, a vida se iniciaria com a formação do zigoto ou mesmo antes, mas a condição humana só começaria a ser esboçada ao surgirem os primeiros espasmos de atividade cerebral, lá pela décima segunda semana de gestação, fase em que o embrião pesa menos de 15 gramas. Antes disso, seríamos apenas um grupamento de células não muito diferente dos embriões das aves ou dos sapos ("a ontogenia recapitula a filogenia").
Essas visões, para as quais a natureza humana se deve à célula-mãe que nos deu origem ou ao sistema nervoso resultante de suas divisões, atribuem inadvertidamente ao genoma a responsabilidade de encerrar a essência humana.
Embora a biologia molecular possa nos ajudar a entender nossa constituição orgânica e as diferenças e semelhanças entre nós e os demais seres vivos, através dela jamais explicaremos o mistério mais profundo da condição humana: como emerge a consciência?
Nas fases iniciais do crescimento embrionário, os primeiros neurônios se multiplicam sem parar e desenvolvem prolongamentos celulares para se conectar com outros neurônios. Lá pelos três ou quatro meses de gestação, os neurônios que não conseguiram formar conexões sólidas com seus pares disparam um programa interno de morte celular (apoptose). Nesse suicídio coletivo sem paralelo, morrem mais neurônios do que os 100 bilhões que sobrevivem para formar o sistema nervoso adulto.
A principal característica dos circuitos neuronais é a plasticidade. Ao nascer a criança, a circuitaria de neurônios sobrevivente ao suicídio em massa estará pronta para se moldar à luz da experiência; sem ela, o sistema nervoso não desenvolve atividade plena. Se luz não chegar aos olhos nos primeiros meses de vida, nem sons aos ouvidos, nem cheiro às fossas nasais, o resultado será cegueira, surdez e anosmia, apesar da integridade inicial das redes neuronais.
O que chamamos a alma humana liga-se à emergência de uma consciência pessoal, única, sem a qual a individualidade não existe. E a consciência é algo que transcende a estrutura do próprio sistema nervoso, porque não está aprisionada em nenhuma circuitaria de neurônios, muito menos pode ser reduzida à expressão do genoma contido num zigoto. Ela nasce da construção de uma narrativa pessoal enriquecida por fatos culturais que dependem da história de vida de cada um de nós.
Dr.Drauzio Varella

Prevenção do câncer de intestino

Prevenção do câncer de intestino

Por capricho da natureza, o câncer de intestino quase sempre se instala no intestino grosso. São raríssimos os tumores malignos de intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo). Em quase quarenta anos de prática da oncologia, não vi mais do que meia dúzia desses casos, enquanto pacientes com câncer de cólon ou reto tratei de centenas.

A parte do tubo digestivo que denominamos intestino grosso é formada pelo ceco (que contém o apêndice), cólon ascendente, transverso e descendente, sigmóide e o reto. Nessas áreas, os tumores costumam ter origem em pequenos pólipos benignos fixos à mucosa, nos quais se instalam alterações progressivas no DNA causadoras de transformação maligna.

São necessários anos de evolução para que um pólipo se transforme em lesão francamente maligna, característica biológica que oferece ampla oportunidade para retirá-lo antes que nele se acumulem as mutações necessárias para chegar à malignidade.

Como regra, no entanto, doentes que desenvolvem câncer de intestino nunca foram submetidos a exames preventivos para diagnosticar a presença dos pólipos que antecedem o aparecimento da doença.

Há pessoas que correm mais risco de câncer de cólon e reto. É importante conhecê-las, porque precisam de vigilância mais intensiva:

1) As que têm um parente de primeiro grau diagnosticado com esse tipo de câncer antes dos 50 anos. Nesses casos, existe suspeita da existência de síndromes hereditárias que aumentam muito o risco;

2) As que têm um familiar de primeiro grau com câncer do cólon ou reto diagnosticado depois dos 50 anos. O parentesco duplica a probabilidade da doença;

3) Os portadores de enfermidades inflamatórias do cólon e do reto, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn.

Os principais fatores ligados ao estilo de vida que aumentam o risco são as dietas com alto teor de gorduras e/ou pobres em fibras e em cálcio, tabagismo, vida sedentária e consumo excessivo de álcool.

Existem diversas estratégias para a prevenção do câncer colo-retal:

1) Pesquisa de sangue oculto nas fezes;

Parte do princípio de que muitos pólipos e tumores malignos em fase inicial apresentam sangramentos microscópicos identificáveis nas fezes através de diversas técnicas de baixo custo.

No entanto, como esses exames são incapazes de detectar lesões que não sangram, testes negativos não asseguram ausência de tumores (falso-negativos). Ao contrário, quando o resultado é positivo, há necessidade de complementar com a realização de colonoscopia, para visualizar a parte interna do intestino e afastar ou confirmar a presença da lesão responsável pelo sangramento. Consideradas em conjunto, essas limitações fazem com que muitos médicos considerem esses testes de pouca utilidade.

2) Estudos radiológicos

Uma das únicas armas disponíveis no passado, os enemas de bário, exames radiológicos precedidos pela introdução de líquido de contraste contendo bário através do reto, perderam a utilidade porque provocam desconforto, deixam de identificar lesões precursoras e tumores malignos em fase inicial.

Recentemente, foram desenvolvidas técnicas de colonografia por tomografia computadorizada que permitem obter imagens de 90% dos pólipos com mais de 1 cm, com um índice de falso-positivos de apenas 14%. As limitações do método são o emprego de radiações, o custo, a necessidade de preparo para esvaziar o intestino e a de exigir colonoscopia para a retirada dos pólipos diagnosticados.

4) Sigmoidoscopia

Embora desconfortável, é um exame simples, ambulatorial, realizado pela introdução de um pequeno endoscópio que visualiza as porções mais baixas do intestino: reto e sigmóide. Não detecta lesões mais altas, que incidem em mais de 30% dos casos de câncer.

5) Colonoscopia

É o método mais importante, assunto que merece discussão mais detalhada em nossa próxima coluna.
Dr.Drauzio Varella

Profilaxia e exposição ao HIV

Profilaxia e exposição ao HIV

A transmissão do HIV está longe de ser um acontecimento relâmpago. O intervalo de tempo necessário para que o vírus recém-transmitido consiga estabelecer um foco no organismo, a partir do qual a infecção se tornará crônica, é suficientemente longo para proporcionar a oportunidade de combatê-lo com antivirais capazes de destruí-lo.

A chamada profilaxia pós-exposição nasceu no início dos anos 1990, época em que contávamos apenas com o AZT e mais dois ou três antivirais. As primeiras tentativas foram realizadas em médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório acidentalmente feridos por agulhas, ou que entraram em contato íntimo com líquidos corpóreos infectados.

Em 1997, um pequeno estudo demonstrou que a administração de AZT, nesses casos, reduzia em 81% a probabilidade de transmissão do vírus. Apesar das limitações científicas desse estudo, a profilaxia medicamentosa da infecção pelo HIV tornou-se procedimento aceito por todos. A partir de 1996, com o aparecimento dos novos antivirais ela ganhou mais eficácia e indicação nas seguintes situações:

1 – Exposição ocupacional

Os índices de transmissão por meio de picadas com agulhas infectadas são baixos: em média 0,3%. Nos contatos acidentais de líquidos corpóreos infectados com as mucosas dos olhos e da boca ou com a pele ferida do profissional, mais baixos ainda: em média 0,09%.

Alguns fatores, no entanto, aumentam o risco: Aids avançada no paciente-fonte da infecção, agulhas que foram utilizadas como cânulas de veias no paciente-fonte, ferimentos profundos e a presença de sangue visível no instrumento.

A maioria dos clínicos usa como critério para indicar a profilaxia, o aparecimento de sangue no local da picada acidental.

2 – Exposição não-ocupacional

O risco de transmissão do HIV varia com a natureza da exposição: de 1% a 30% nas relações anais receptivas, de 0,1% a 10 % nas relações anais insertivas e nas vaginais receptivas, de 0,1% a 1% nas vaginas insertivas. Embora haja descrições de infecção pelo HIV em pessoas que praticaram apenas sexo oral, o risco desse tipo de prática é bem mais baixo.

A probabilidade de transmissão varia com a presença ou ausência de doenças venéreas, ulcerações genitais (herpes, sífilis), circuncisão, displasia anal ou do colo uterino, com a virulência e com a concentração do vírus (carga viral) presente nas secreções sexuais.

A probabilidade de adquirir HIV ao compartilhar seringas e agulhas contaminadas é bem mais alta: 0,67% em cada injeção.

As características do paciente-fonte são fundamentais para definir a necessidade de profilaxia.

Na exposição ocupacional é mais fácil, porque o paciente-fonte pode ser testado rapidamente, por meio dos testes Elisa de alta sensibilidade. Resultado negativo afasta a necessidade de profilaxia. Se, por qualquer motivo, houver demora para obter o resultado, a profilaxia deve ser iniciada até que o mesmo se torne disponível.

Nos casos de exposição sexual ou ao compartilhar seringas e agulhas em que a condição do paciente-fonte for desconhecida, a profilaxia costuma ser indicada nas situações em que existir maior risco: homens que fazem sexo com outros homens ou com homens e mulheres, pessoas que fazem uso comercial do sexo, que fizeram sexo com usuários de drogas ilícitas intravenosas, ex-presidiários, estupradores, habitantes de países nos quais os índices de prevalência do HIV sejam superiores a 1% da população, e naqueles que tiveram contato sexual desprotegido com membros desses grupos.

Quanto mais rapidamente for administrada a profilaxia, melhor será o resultado. Dados experimentais indicam que os índices de infecção são mais baixos quando ela é iniciada nas primeiras 36 horas. Um estudo mostrou que filhos de mães infectadas apresentam menor chance de contrair o HIV quando tratados nas primeiras 48 horas depois do parto.

O esquema de tratamento precisa conter pelo menos duas drogas, mantidas por um período de 28 dias.
Dr.Drauzio Varella

Tratamento da enxaqueca

Tratamento da enxaqueca

A enxaqueca é uma condição cerebral crônica caracterizada por crises de dor de cabeça pulsátil, de média ou forte intensidade, eventualmente associada a náuseas, vômitos, fotofobia e intolerância aos ruídos (fonofobia).

Em cerca de um terço dos casos, as crises são acompanhadas por sintomas neurológicos, geralmente visuais, conhecidos como auras.

O distúrbio ocorre em pessoas geneticamente suscetíveis. A Organização Mundial da Saúde calcula que no mundo existam 324 milhões habitantes nessas condições.

As crises são mais frequentes e mais intensas no sexo feminino. O risco de ocorrerem durante a vida é de 43% nas mulheres e de 18% nos homens. Ao redor de 25% dos pacientes apresentam mais de 3 dias de cefaléia por mês.

Os sintomas costumam instalar-se na adolescência ou no início da vida adulta. Embora os ataques sejam autolimitados, os portadores de enxaqueca correm risco mais alto de complicações vasculares, como derrames cerebrais e pré-eclâmpsia.

As causas da enxaqueca não estão completamente claras. A teoria mais aceita é a de que terminações nervosas sensitivas que inervam os vasos das meninges (membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal) liberam substâncias que provocam dilatações das artérias meníngeas, acompanhadas de inflamação e extravasamento de proteínas.

Esses eventos acabam por ativar os neurônios de diversos centros cerebrais, causando a dor e as alterações neurológicas características do quadro. As náuseas e os vômitos surgem como consequência da estimulação do sistema nervoso autônomo. A sensibilidade à luz, aos odores e aos sons resulta de anormalidades nos neurônios que modulam as informações sensórias.

Muitas vezes, os episódios podem ser controlados com analgésicos comuns (entre eles o ácido acetilsalecílico), eventualmente associados à ergotamina, à cafeína e à metoclopramida (antiemético).

O tratamento dos casos que respondem mal a essas medidas deve ser feito com uma classe de drogas que recebe o nome de triptanos. Existem sete delas disponíveis no mercado. Entre as vantagens estão a baixa incidência de efeitos colaterais e o mecanismo mais específico de ação.

A resposta ao tratamento é mais eficaz, quando é iniciado logo que surgem os primeiros sintomas. O efeito começa depois de 20 a 60 minutos, dependendo do triptano escolhido.

A maioria deles pode ser administrada novamente depois de 2 a 4 horas, se houver necessidade. Aproximadamente um em cada três pacientes não responde ao triptano prescrito. Nessas situações vale a pena substituí-lo por outro triptano ou associá-lo a antieméticos e anti-inflamatórios.

Os triptanos são contraindicados em portadores de hipertensão não controlada, de insuficiência hepática ou renal ou de doença coronariana. Seu uso na gravidez deve ser avaliado com critério nas mulheres que não respondem a outros tratamentos, porque embora não provoquem defeitos genéticos graves, não é possível excluir a possibilidade de malformações menos aparentes.

Da mesma forma que outras drogas empregadas no tratamento das enxaquecas agudas, a administração frequente de triptanos está associada ao desenvolvimento da chamada cefaléia por uso excessivo de medicamentos, na qual o abuso de analgésicos leva a um ciclo vicioso. Por essa razão, o ideal é que os triptanos tenham seu uso limitado à média de dois dias por semana.

Os principais efeitos colaterais são formigamentos nas mãos e pés, endurecimento transitório do pescoço e sensação de opressão no peito não associada às coronárias.

De acordo com o Colégio Americano de Médicos, o tratamento de primeira linha das enxaquecas é anti-inflamatório associado a antiemético, quando há náuseas; os triptanos são indicados apenas quando não houver resposta.

Já a Federação Européia de Sociedades Neurológicas recomenda triptanos ou anti-inflamatórios como primeira escolha.
Dr.Drauzio Varella

Inteligência e pobreza

Inteligência e pobreza

Se medir a inteligência de alguém já é tarefa inglória, imagine estimar seus valores médios em populações inteiras. Talvez não exista na Biologia campo mais sujeito a interpretações contraditórias, preconceituosas e apaixonadas.

Em 1990, foi descrito o efeito Flynn, segundo o qual ocorrem aumentos significantes das médias do quociente de inteligência (QI) em curtos intervalos de tempo, à medida que as nações se desenvolvem.

Em 2001, Lynn e Vanhanen fizeram a primeira tentativa de relacionar inteligência com desenvolvimento econômico, ao publicar um estudo sobre o QI médio dos habitantes de 81 países.

Em 2005, N. Broder levantou a hipótese de que a inteligência, como outros traços psicológicos, é altamente plástica, portanto adaptável ao ambiente. Como consequência, tende a crescer com a escolaridade e com os desafios cognitivos impostos pelo meio, como os que surgem na migração do campo para a cidade.

Baseado no fato de que os níveis nacionais de QI são menores nos países com mortalidade infantil elevada e naqueles em que os bebês nascem com baixo peso, Broder concluiu que saúde e nutrição podem afetar a inteligência.

O que esses estudos não esclarecem, no entanto, é se existe relação de causa e efeito entre essas variáveis, isto é, se a instrução ativa a inteligência ou se indivíduos mais inteligentes estudam mais. O mesmo vale para os que abandonam a agricultura para tentar a sorte na cidade.

Duas conclusões retiradas de vários estudos dão idéia da complexidade dessas interações:

1) O QI de uma população é menor nos países em que as temperaturas permanecem mais altas durante o inverno. Tem certa lógica: frio e neve exigem maior criatividade para sobreviver.

2) Como regra, quanto mais distante da Etiópia estiver o país, mais alto o QI de seus habitantes. Tem a mesma lógica: quanto mais se afastou da terra natal, mais desafios adaptativos o homem foi obrigado a vencer.

A você, leitor que resistiu com bravura à introdução, está reservada a cereja do bolo.

Cristopher Eppig e colaboradores escreveram um artigo na prestigiosa Proceedings of The Royal Society, propondo uma explicação unificadora, daquelas que nos deixa a sensação do porquê não pensei nisso antes.

Segundo eles, as causas apresentadas estão por trás de uma variável bem mais relevante: as infecções parasitárias.

Do ponto de vista energético, o cérebro é o órgão do corpo humano que mais consome energia: 87% no recém-nascido, 44% aos cinco anos; 34% aos dez; 23% nos homens e 27% nas mulheres adultas.

As infecções parasitárias interferem com o equilíbrio energético: 1) alguns micro-organismos se alimentam de tecidos humanos que precisam ser reparados; 2) outros vivem nos intestinos e prejudicam a absorção de nutrientes; 3) para multiplicarem-se, os vírus dependem da maquinaria de reprodução da célula, processo que exige energia; 4) o hospedeiro infectado precisa investir energia para ativar o sistema imunológico por longos períodos, nas infecções crônicas.

As diarreias na infância têm custo energético especialmente elevado. Primeiro, por causa da alta prevalência – estão entre as duas principais causas de óbitos em menores de cinco anos. Depois, porque dificultam o aproveitamento de nutrientes.

Quadros diarreicos de repetição durante os primeiros cinco anos de vida, podem privar o cérebro das calorias necessárias para o desenvolvimento pleno e comprometer a inteligência para sempre.

Diversos trabalhos demonstraram que infecções parasitárias e QI trilham caminhos opostos. Um deles, realizado no Brasil pelo grupo de Jardim-Botelho, mostrou que crianças escolares com ascaridíase apresentam performance mais medíocre nos testes de capacidade cognitiva. E mais: naquelas parasitadas por mais de um verme intestinal, os resultados são piores ainda.

A hipótese de que infecções parasitárias prejudicariam o desenvolvimento da inteligência, explica por que a média do QI aumenta rapidamente quando um país se desenvolve (efeito Flynn), por que o QI é mais alto nas regiões em que o inverno é mais frio (menos parasitoses) e por que nos países pobres os valores médios do QI são mais baixos.

No Brasil, existem 38 milhões de residências sem esgoto.

Dr.Drauzio Varella

Abecedário vitamínico

Abecedário vitamínico

A medicina moderna destruiu mitos arraigados desde a Antiguidade. O conhecimento mais profundo da fisiologia do corpo humano e as pesquisas conduzidas com milhares de participantes têm criado evidências científicas que tornaram obsoletos muitos dogmas do passado.

Por exemplo, o de que pessoas de idade não podiam fazer esforço, o de que parturientes permanecessem em resguardo durante quarenta dias, o de que doentes operados deviam ficar imóveis no leito para não comprometer a cicatrização, e tantos outros.

Trinta anos atrás, ganhou corpo a teoria de que alguns tipos de câncer seriam causados por deficiência de vitaminas. Os defensores citavam experiências com animais de laboratório e alguns dados epidemiológicos recolhidos em populações mal alimentadas.

A contestação dessas suposições começou com a vitamina A.

Em 1985, pesquisadores finlandeses programaram um estudo para saber se betacaroteno e as vitaminas A e E reduziriam a incidência de câncer de pulmão em fumantes. Comparado ao grupo-controle, o que recebeu betacaroteno apresentou aumento de 18% nos casos de câncer de pulmão. Nos que receberam betacaroteno e vitamina A a elevação foi mais expressiva: 28%.

Os americanos repetiram uma pesquisa com formato semelhante e milhares de participantes. A conclusão foi idêntica: suplementação com betacaroteno aumenta a incidência de câncer de pulmão em fumantes.

Apesar desses resultados, até hoje muitos médicos, autodenominados ortomoleculares ou não, prescrevem complexos vitamínicos ricos em betacaroteno e vitamina A para pessoas que fumam. Se você, leitor, ainda fuma e tem fé nas vitaminas, pelo menos não tome as que contêm esses micronutrientes.

Depois da vitamina A, veio a B.

Na segunda metade dos anos 1980, foi realizado um grande estudo epidemiológico na parte central da China, região em que a deficiência das vitaminas do complexo B e a prevalência de câncer de esôfago e estômago andavam de braços dados. Diversos anos de administração de niacina (vitamina B3) e riboflavina (vitamina B2) foram incapazes de reduzir a incidência desses tumores.

No entanto, o interesse pelo ácido fólico (vitamina B9) persistiu, em parte por causa da propriedade de reduzir o aparecimento de defeitos na formação do sistema nervoso do feto, quando administrado durante a gravidez. Infelizmente, um estudo populacional mostrou que sete anos de suplementação com ácido fólico não diminuíram a incidência de câncer de intestino. E pior, aumentaram a de adenomas intestinais, lesões consideradas precursoras do câncer de cólon e reto.

Aí foi a vez da vitamina C, micronutriente popularizado por Linus Pauling, laureado com o prêmio Nobel duas vezes, uma das quais por sua atuação em favor da paz mundial.

Entre os cânceres atribuídos à falta de vitamina C, o de estômago era o principal suspeito. Um grande estudo realizado na província chinesa de Linxian para testar a influência da administração dessa vitamina a populações carentes, colocou fim à era da vitamina C.

Fora da ordem alfabética, surgiu a fase da vitamina E, que parecia ser capaz de reduzir o risco de morte por ataques cardíacos, entre outros efeitos benéficos.

Nos anos 1990, vários trabalhos com grande número de participantes demonstraram a ineficácia da suplementação de vitamina E na prevenção de câncer de próstata e, também, de doença cardíaca.

Ao entrarmos no século 21, o foco se deslocou para a vitamina D.

Há estudos indicando que a falta de exposição ao sol que leva ao déficit crônico de vitamina D, aumenta a prevalência de hipertensão arterial, diabetes do tipo 1, doenças cardiovasculares, osteoartrite, doenças autoimunes, câncer de cólon, próstata e mama.

Embora a suspeita em relação às demais doenças ainda persista, níveis baixos de vitamina D não parecem afetar o aparecimento de pelo menos seis tipos de câncer, segundo um trabalho que acaba de ser publicado no American Journal of Epidemiology.

Hoje sabemos que doses altas de vitaminas podem causar problemas de saúde. A afirmação de que a administração desses micronutrientes previne e cura muitas doenças é falsa. Nesse campo, vale o aforismo: “Para todo problema complexo existe uma explicação simples, quase sempre errada”.
Dr. Drauzio Varella

HPV (Papilomavírus humano)

HPV (Papilomavírus humano)

O HPV (papilomavírus humano), nome genérico de um grupo de vírus que engloba mais de cem tipos diferentes, pode provocar a formação de verrugas na pele, e nas regiões oral (lábios, boca, cordas vocais, etc.), anal, genital e da uretra. As lesões genitais podem ser de alto risco, porque são precursoras de tumores malignos, especialmente do câncer do colo do útero e do pênis, e de baixo risco (não relacionadas ao aparecimento de câncer).

Transmissão do Papiloma Vírus Humano (HPV)

A transmissão se dá predominantemente por via sexual, mas existe a possibilidade de transmissão vertical (mãe/feto), de auto-inoculação e de inoculação através de objetos que alberguem o HPV.

Diagnóstico

As características anatômicas dos órgãos sexuais masculinos permitem que as lesões sejam mais facilmente reconhecíveis. Nas mulheres, porém, elas podem espalhar-se por todo o trato genital e alcançar o colo do útero, uma vez que, na maior parte dos casos, só são diagnosticáveis por exames especializados, como o de Papanicolaou (teste de rotina para controle ginecológico), a colposcopia e outros mais sofisticados como hibridização in situ, PCR (reação da cadeia de polimerase) e captura híbrida.

Sintomas do HPV

A infecção causada pelo HPV pode ser assintomática ou provocar o aparecimento de verrugas com aspecto parecido ao de uma pequena couve-flor na pele e nas mucosas. Se a alteração nos genitais for discreta, será percebida apenas através de exames específicos. Se forem mais graves, as células infectadas pelo vírus podem perder os controles naturais sobre o processo de multiplicação, invadir os tecidos vizinhos e formar um tumor maligno como o câncer do colo do útero e do pênis.

Tratamento

O vírus do HPV pode ser eliminado espontaneamente, sem que a pessoa sequer saiba que estava infectada. Uma vez feito o diagnóstico, porém, o tratamento pode ser clínico (com medicamentos) ou cirúrgico: cauterização química, eletrocauterização, crioterapia, laser ou cirurgia convencional em casos de câncer instalado.

Recomendações

* lembre-se que o uso do preservativo é medida indispensável de saúde e higiene não só contra a infecção pelo HPV, mas como prevenção para todas as outras doenças sexualmente transmissíveis;

* saiba que o HPV pode ser transmitido na prática de sexo oral;

* vida sexual mais livre e multiplicidade de parceiros implicam eventuais riscos que exigem maiores cuidados preventivos;

* informe seu parceiro/a se o resultado de seu exame para HPV for positivo. Ambos precisam de tratamento;

* parto normal não é indicado para gestantes portadoras do HPV com lesões genitais em atividade;

* consulte regularmente o ginecologista e faça os exames prescritos a partir do início da vida sexual. Não se descuide. Diagnóstico e tratamento precoce sempre contam pontos a favor do paciente.
Dr. Drauzio Varella

Hipotireoidismo

Hipotireoidismo

A tireóide é uma glândula endócrina importantíssima para o funcionamento harmônico do organismo. Os hormônios liberados por ela, T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) estimulam o metabolismo, isto é, o conjunto de reações necessárias para assegurar todos os processos bioquímicos do organismo.

Os principais distúrbios da tireóide são o hipotireoidismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) e o hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios), doenças que incidem mais nas mulheres do que nos homens.

Sintomas

a)Hipotireoidismo

·Cansaço

·Depressão

·Adinamia (falta de iniciativa)

·Pele seca e fria

·Prisão de ventre

·Diminuição da freqüência cardíaca

·Decréscimo da atividade cerebral

·Voz mais grossa como a de um disco em baixa rotação

·Mixedema (inchaço duro)

·Diminuição do apetite

·Sonolência

·Reflexos mais vagarosos

·Intolerância ao frio

·Alterações menstruais e na potência e libido dos homens.

b) Hipertireoidismo

·Hiperativação do metabolismo

·Nervosismo e irritação

·Insônia

·Aumento da freqüência cardíaca

·Intolerância ao calor

·Sudorese abundante

·Taquicardia

·Perda de peso resultante da queima de músculos e proteínas

·Tremores

·Olhos saltados

·Bócio

·Comprometimento da capacidade de tomar decisões equilibradas

Causas

a)Hipotireoidismo

·Tireoidite de Hashimoto, uma doença auto-imune que provoca a redução gradativa da glândula;

·Falta ou excesso de iodo na dieta.

b)Hipertireoidismo

·Doença de Graves, doença hereditária que se caracteriza pela presença de um anticorpo no sangue que estimula a produção excessiva dos hormônios tireoidianos;

·Bócio com nódulos que produzem hormônios tireoidianos sem a interferência do TSH, hormônio produzido pela hipófise.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito pela dosagem do hormônio TSH produzido pela hipófise e dos hormônios T3 e T4 produzidos pela tireóide.

Níveis elevados deTSH e baixos dos hormônios da tireóide caracterizam o hipotireoidismo. TSH baixo e alta dosagem de hormônios da tireóide caracterizam o hipertireoidismo. Recomendações

·Não se assuste com a idéia de epidemia de problemas na tireóide. Avanço nas técnicas de diagnóstico explica o aumento do número de casos;

·A ingestão regular do iodo contido no sal de cozinha evita a formação de bócio;

·A dosagem do TSH deve ser medida depois dos 40 anos com regularidade;

·Hormônios tireoidianos não devem ser tomados nos regimes para emagrecer (produzem maior queima dos músculos do que de gordura);

·Procure adotar uma dieta alimentar equilibrada. É engano imaginar que o hipotireoidismo seja fator responsável pelo ganho de peso, porque as pessoas costumam ter menos fome quando estão com menor produção dos hormônios tireoidianos;

·Atividade física regular é indicada nos casos de hipotireoidismo, mas contra-indicada para pacientes com hiprtieoidismo;

·Fumar é desaconselhável nos dois casos;

·Não minimize o mau funcionamento da tireóide. Discuta com o médico a melhor forma de tratamento para seu caso e siga suas orientações.

Tratamento

Em ambos os casos o tratamento deve ser introduzido assim que o problema é diagnosticado e depende da avaliação das causas da doença em cada paciente.

No hipotireoidismo, deve começar de preferência na fase subclínica com a reposição do hormônio tireoxina que a tireóide deixou de fabricar. Como dificilmente a doença regride, ele deve ser tomado por toda a vida, mas os resultados são muito bons.

No hipertireoidismo, o tratamento pode incluir medicamentos, iodo radioativo e cirurgia e depende das características e causas da doença. Deve começar logo e ser prescrito principalmente na 3ª idade a fim de evitar a ocorrência de arritmias cardíacas, hipertensão, fibrilação, infarto e osteoporose.

Entrevista - Dr. Marcello Bronstein